Em 17 de janeiro de 2026, após mais de 26 anos de negociações, o Mercosul e a União Europeia assinaram um dos maiores acordos de livre comércio do mundo. A parte comercial entra em vigor em 1º de maio, unindo dois blocos com 718 milhões de pessoas e PIB combinado de US$ 22,4 trilhões. Para o algodão brasileiro, as tarifas de exportação ao mercado europeu caem de forma significativa.

No Ceará, o governador Elmano de Freitas já chamou o acordo de “oportunidade de ouro” para a cotonicultura estadual. Não é exagero: o estado abriga o terceiro maior polo têxtil do Brasil e tem avançado rapidamente na retomada da produção de algodão, com destaque para o modelo agroecológico certificado.

É exatamente aqui que a ACEPA entra. Fundada em 2012 e credenciada como OPAC em 2013, a associação certifica agricultoras e agricultores de Quixadá, Choró, Quixeramobim, Limoeiro do Norte e Potiretama. O algodão produzido por essas famílias é orgânico, rastreável, cultivado em consórcio com milho, feijão e gergelim, sem agrotóxicos. Exatamente o que o mercado europeu mais exigente busca.

Marcas europeias como a francesa Veja já compram algodão certificado da região. Lideranças industriais da Itália manifestaram, em abril de 2026, interesse crescente em consumir fibras brasileiras para reduzir a dependência de fornecedores asiáticos.

A janela está aberta. Mas chegar até o consumidor europeu exige ainda enfrentar outras batalhas: escala de produção, adequação às normas europeias de certificação orgânica, logística e acesso direto à cadeia sem perder renda no caminho. São desafios reais, que a ACEPA e as famílias agricultoras do sertão já conhecem bem e seguem enfrentando com organização e autonomia.

O mundo está chegando. O sertão se prepara.